O sal, sempre sagrado
Autoria: Cecílio Elias Netto
05/09/2008 15:42
Cristo fez, do sal, o sentido da missão de seus apóstolos: “Vós sois o sal da vida." No batismo católico, o sal é sabedoria. No “Levítico” (II,13), do Velho Testamento, já havia a santificação do sal: “... em toda a tua oferta, oferecerás sal.” Entre os antigos escravos africanos, quando intimados a se declararem cristãos, eles apenas diziam: “comi sal.” Na Roma e na Grécia antigas, o sal valia como graça e como desgraça: de pessoas graciosas, dizia-se – e diz-se, ainda – que “tinham sal”; mas cobria-se de sal o chão das casas dos condenados. Isso aconteceu também no Brasil: foi coberto de sal o chão da residência de Tiradentes, tornando-o maldito.
Leonardo da Vinci, no quadro “A Santa Ceia”, confirma o sal como símbolo da amizade. Por isso, o saleiro, na tela, está derramado na mesa, diante de Judas, o apóstolo que traiu a amizade. Antes de Cristo, as crianças, ao nascer, eram “salgadas”, esfregadas com sal para que tivessem mais vida. Os “zumbis” de todas as civilizações têm medo de sal.
É maior do que se imagina a importância do sal na vida das pessoas – incluindo o sal usado nos feitiços das macumbas, dos candomblés, dos catimbós, no cotidiano familiar. Tanto assim é que uma das palavras mais fortes na vida universal – criando ciência, ideologia e confusão econômica –tem a sua origem no sal: é salário, “salarium”. Os romanos pagavam, aos soldados, o “salarium”, a quantia necessária para comprar o sal necessário à alimentação. A partir dali, o “salarium” passou a ser o pagamento obrigatório a qualquer trabalho.
Em todos os tempos, pois, o sal é sagrado.
Publicado Orignalmente em http://www.aprovincia.com/
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