quinta-feira, 18 de novembro de 2010

o sal na colonização brasileira


ANAIS DO II ENCONTRO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA COLONIAL.
Mneme – Revista de Humanidades. UFRN. Caicó (RN), v. 9. n. 24, Set/out. 2008. ISSN 1518-3394.
Disponível em www.cerescaico.ufrn.br/mneme/anais

Quais foram os motivos para o sal do Rio Grande do Norte entrar em competição com o sal da Espanha e do Rio de Janeiro? - Denizia (Natal/RN)

Resposta: Por ficar mais próximo do Piauí, o Rio Grande Norte, oferecia condições mais competetitivas paracomercialização de diversos produtos. Na matéria, parea dirimir dúvidas da internauta e pesquisadora Denizia, o escriba refere-se aospovos indígenas da nação Potiguar e não ao povo potiguar do glorioso estado do Rio Grande do Norte.

Veja o texto:

"Acreditamos também que a principal motivação que levou a WIC a aceitar o pedido indígena era justamente a necessidade de manter esses indígenas em “amizade” com a Companhia, pretendendo usá-los como soldados na guerra contra os portugueses. Outros fatores certamente influenciaram a decisão, tais como a possibilidade de expandir a fronteira e as vantagens econômicas (sal, âmbar, algodão, etc), mas a motivação principal certamente era o desejo de conseguir a aliança com os Potiguar cearenses"
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A chegada de Gedeon Morris de Jonge em finais de 1640 ao Ceará muda significativamente essa situação. Já em 14 de Fevereiro de 1641, com menos de três meses que se encontrava na capitania, ele envia uma carta ao Supremo Conselho onde dá conta do trabalho que realizou até então, principalmente no que se refere às salinas. Gedeon dá conta de três salinas encontradas, que ele chama de Iwipanim, Meiritupe e Wararocury. Comparando esses nomes com a cartografia da época foi possível identificar esses locais como sendo rios do litoral do Rio Grande do Norte, localizados desde o atual município de Areia Branca, na divisa com o Ceará, até o rio Açu. Ele refere-se também à salina do Comenni (Camocim), que começa também a explorar.
ANAIS DO II ENCONTRO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA COLONIAL.
Mneme – Revista de Humanidades. UFRN. Caicó (RN), v. 9. n. 24, Set/out. 2008. ISSN 1518-3394.
Disponível em www.cerescaico.ufrn.br/mneme/anais
mais tarde. Essas regiões já eram conhecidas como boas produtoras de sal pelos portugueses, como se atesta na cartografia e nos documentos da época, mas não parecem ter sido grandemente exploradas. Isso se deve ao fato de Portugal ser um dos grandes produtores de sal da Europa, especialmente na região de Setúbal. Não interessava à Coroa, portanto, explorar esse produto no Brasil. Pelo contrário, em 1631 a Coroa institui o estanco e monopólio sobre o comércio de sal no Brasil. As Províncias Unidas, por outro lado, eram tradicionalmente um país importador de sal e a possibilidade de adquirir regiões produtoras de sal na América deve ter sido atraente para os neerlandeses, como o próprio Gedeon explica em sua carta:
[...] da minha resolução de ir observar a situação das salinas do rio Iwipanim [sic] e de outros lugares.
Isso fiz com toda diligência, e Deus seja louvado por as ter achado tais que admira-me já não se houvesse feito maiores diligências para examiná-las, porquanto é de V. Ex. e VV. SS. bem conhecida a importância da navegação do sal, negócio este que em sumo grau interessa à pátria e à Companhia, sendo para desejar que os navios de Pernambuco, que devem seguir vazios para as Índias Ocidentais e para a França afim de receberem carregamento de sal, vindo aqui, o pudessem tomar.
A Companhia ganharia milhares no afretamento de navios, e além disso que grande proveito não tiraria dali?
Que grande dano não causaria aos nossos generaes inimigos, se o sal deles (pois o sal é uma das principais minas de Espanha e de Portugal) não tivesse mais consumo, e os nossos navios evitassem os milhares de perigos provenientes dos Turcos a que se expõem para buscá-lo?10
Podemos, através desse trecho da carta, compreender melhor as tentativas feitas pelos neerlandeses, especialmente por Gedeon Morris de Jonge e por Elbert Smient (do Rio Grande) de introduzir a exploração salineira em grande escala no Brasil. Se esse projeto fosse bem sucedido, traria grandes rendas para o cofre da Companhia através das taxas de frete, além de tornar as Províncias Unidas auto-suficientes na produção de sal e afetar negativamente a Espanha e Portugal através da competição com o sal que eles produziam. Um outro trecho da mesma carta dá uma idéia da escala com que Gedeon Morris pretendia operar. Esse trecho refere-se à salina do rio Upanema (ou Ipanema), a qual ele dedicou seus maiores esforços:
10 Carta
no Tempo do Domínio Holandez no Brasil. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Rio de Janeiro, Tomo LVIII, 1895. p. 263-264.
4 Ibidem, p. 264..
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Para esclarecer melhor, publicamos o texto a seguir, com as respectivas citações bibliográficas:
A chegada de Gedeon Morris de Jonge em finais de 1640 ao Ceará muda significativamente essa situação. Já em 14 de Fevereiro de 1641, com menos de três meses que se encontrava na capitania, ele envia uma carta ao Supremo Conselho onde dá conta do trabalho que realizou até então, principalmente no que se refere às salinas. Gedeon dá conta de três salinas encontradas, que ele chama de Iwipanim, Meiritupe e Wararocury. Comparando esses nomes com a cartografia da época foi possível identificar esses locais como sendo rios do litoral do Rio Grande do Norte, localizados desde o atual município de Areia Branca, na divisa com o Ceará, até o rio Açu. Ele refere-se também à salina do Comenni (Camocim), que começa também a explorar.




ANAIS DO II ENCONTRO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA COLONIAL.
Mneme – Revista de Humanidades. UFRN. Caicó (RN), v. 9. n. 24, Set/out. 2008. ISSN 1518-3394.
Disponível em www.cerescaico.ufrn.br/mneme/anais
mais tarde. Essas regiões já eram conhecidas como boas produtoras de sal pelos portugueses, como se atesta na cartografia e nos documentos da época, mas não parecem ter sido grandemente exploradas. Isso se deve ao fato de Portugal ser um dos grandes produtores de sal da Europa, especialmente na região de Setúbal. Não interessava à Coroa, portanto, explorar esse produto no Brasil. Pelo contrário, em 1631 a Coroa institui o estanco e monopólio sobre o comércio de sal no Brasil. As Províncias Unidas, por outro lado, eram tradicionalmente um país importador de sal e a possibilidade de adquirir regiões produtoras de sal na América deve ter sido atraente para os neerlandeses, como o próprio Gedeon explica em sua carta:
[...] da minha resolução de ir observar a situação das salinas do rio Iwipanim [sic] e de outros lugares.
Isso fiz com toda diligência, e Deus seja louvado por as ter achado tais que admira-me já não se houvesse feito maiores diligências para examiná-las, porquanto é de V. Ex. e VV. SS. bem conhecida a importância da navegação do sal, negócio este que em sumo grau interessa à pátria e à Companhia, sendo para desejar que os navios de Pernambuco, que devem seguir vazios para as Índias Ocidentais e para a França afim de receberem carregamento de sal, vindo aqui, o pudessem tomar.
A Companhia ganharia milhares no afretamento de navios, e além disso que grande proveito não tiraria dali?
Que grande dano não causaria aos nossos generaes inimigos, se o sal deles (pois o sal é uma das principais minas de Espanha e de Portugal) não tivesse mais consumo, e os nossos navios evitassem os milhares de perigos provenientes dos Turcos a que se expõem para buscá-lo?10
Podemos, através desse trecho da carta, compreender melhor as tentativas feitas pelos neerlandeses, especialmente por Gedeon Morris de Jonge e por Elbert Smient (do Rio Grande) de introduzir a exploração salineira em grande escala no Brasil. Se esse projeto fosse bem sucedido, traria grandes rendas para o cofre da Companhia através das taxas de frete, além de tornar as Províncias Unidas auto-suficientes na produção de sal e afetar negativamente a Espanha e Portugal através da competição com o sal que eles produziam. Um outro trecho da mesma carta dá uma idéia da escala com que Gedeon Morris pretendia operar.

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